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Publicado em: 07/11/2012

 

Prosopagnosia

 

 


Dificuldades para identificar faces estão, certamente, dentre os aspectos mais desafiadores e intrigantes do estudo de percepção visual. Esta condição clínica – conhecida como prosopagnosia – é frequentemente interpretada por pacientes e seus familiares como dificuldades de memória, o que os leva a procurar atendimento em centros especializados para esta função. A prosopagnosia pode ocorrer devido a diferentes processos neuropsicológicos e envolvimento de diversas regiões neuroanatômicas (ou circuitos) (Fox e cols, 2008). Reconhecer e identificar um rosto não deve ser entendido como um processo único, mas sim como uma “família” de processos, passando pela própria percepção e utilizando conectividade entre áreas distintas (por vezes distantes) e memória (Barton, 2003). Portanto, diversos fatores podem resultar em uma mesma dificuldade, sendo necessária a identificação do(s) tipo(s) de processo(s) que causa(m) a incapacidade de reconhecer rostos.

Para que a identificação de faces seja bem sucedida, é necessário, primeiramente, que o indivíduo apresente boa acuidade visual. Após a passagem dos estímulos pela via visual, é necessário que o indivíduo seja capaz de perceber corretamente a imagem do rosto – isto é, gerar a representação perceptual. Posteriormente ao processamento da face, as informações devem ser transmitidas para que haja a combinação da face percebida com os registros mnêmicos de faces. Desta forma, um indivíduo deve ser capaz de, automaticamente, perceber que o estímulo corresponde, por exemplo, a uma mulher (gênero), branca (cor ou raça), de olhos verdes, cabelos castanhos e curtos – entre outros aspectos. As informações são também unificadas e comparadas com os referidos registros de faces armazenados em regiões específicas do cérebro. Ao realizar esta (bem sucedida) comparação do estímulo percebido com o registro mnêmico, o indivíduo é capaz de proferir a identidade desta pessoa. O correto reconhecimento permite que o sujeito possa resgatar informações, sendo possível nomear, ativar sentimentos (afeto), e trazer para a consciência informações biográficas associadas à pessoa. 

Com base no sucinto exemplo apresentado acima, podemos identificar ao menos dois processos que podem dificultar toda a cascata de eventos que resulta no reconhecimento de um rosto. Conforme descrito, os processos neuropsicológicos se iniciam pela “percepção” o rosto observado, isto é, a formação de imagem (representação perceptual) a partir dos estímulos visuais. Uma dificuldade nesta primeira (percepção) pode se associar a prosopagnosia do tipo aperceptiva (Benton & Van Allen, 1968). Como sugere o próprio nome, a prosopagnosia aperceptiva ocorre por um déficit primário nos sistemas de representação perceptual no qual o indivíduo torna-se incapaz de “formar” a imagem da face corretamente.

Por outro lado, é possível que a representação perceptual esteja intacta, mas que mesmo assim o indivíduo não seja capaz de reconhecer e identificar a face. Este problema ocorre pelo fato de que a representação perceptual precisa ser associada ao registro de faces armazenadas para que haja a combinação e identificação. Neste caso, se a imagem corretamente percebida não puder ser combinada com os registros mnêmicos devido a problemas nas vias associativas, não será possível a identificação. Isto significa que o sujeito é capaz de comparar os estímulos percebidos a outros que não dependem de seus sistemas de memória. Esta dificuldade é encontrada em indivíduos com prosopagnosia do tipo associativa, na qual o examinando tem preservação da percepção, porém apresenta dificuldades para combinar a representação perceptual aos registros mnêmicos.

 

 


 

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