5 de Setembro de 2010
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Publicado em: 01/02/2010

 

Memória e testemunho

 

 



Dentro do meio jurídico, testemunhas oculares frequentemente representam papel importante na identificação de suspeitos dentre outros indivíduos; testemunhos em tribunais também podem ter papel crucial para a tomada de decisão do júri. No entanto, identificação de um rosto e testemunho em um tribunal se baseiam em pressupostos algo equivocados sobre o funcionamento dos sistemas de memória.

Alguns indivíduos condenados à pena de morte foram libertados após exame de DNA, que comprovara que não seriam eles os culpados pelos crimes pelos quais eram acusados. Erros deste tipo podem ser mais comuns do que se imagina. Segundo a psicóloga Elizabeth Loftus, da Universidade da Califórnia, a memória não funcionaria como um videotape, no qual bastaria dar "play" para que surgissem as lembraças. Ela sugere que as lembranças funcionariam como uma "montagem de peças de quebra-cabeças" ao invés de simplesmente "repassar o filme". O questionamento de um advogado pode alterar os registros de memória da testemunha, tendo em vista que a montagem dos pequenos fragmentos de memória poderia ser realizada de forma incorreta ao se misturar com as informações provenientes da pergunta do advogado, levando a um resgate impreciso de informações.

Alguns estudos demonstraram que a "confusão" de um relato pode ocorrer mesmo em indivíduos "normais", que de fato acreditariam que informações fictícias relatadas por pesquisadores seriam reais. Em um dos estudos que testou esta hipótese, Loftus e Jacqueline Pickrell deram, por escrito, quatro eventos distintos aos participantes da pesquisa, sendo três dos eventos referentes a situações reais vividas pelo voluntário, embora o quarto evento fosse fictício. Esta história falsa relatava um evento em que o participante teria se perdido em um local público quando tinha entre quatro e seis anos de idade. Detalhes realísticos eram dados, como por exemplo, descrição do shopping que o indivíduo realmente costumava frequentar com os pais. Após a leitura de cada um dos eventos, os participantes deveriam escrever outros detalhes que lembrassem sobre os mesmos eventos ou então indicar o que eles não lembrassem destas histórias. Em torno de 1/3 dos indivíduos referiu lembrar parcialmente ou totalmente do evento falso, e 25% destes continuava referindo lembrar da história falsa após algumas semanas da testagem.

Estes estudos apontam para importantes limitações da memória e, por consequência, sugerem a necessidade de ponderar tais limitações ao determinar a importância do testemunho para um veredito.

 

 


 

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